Grafite utiliza uma grande diversidade de materiais no Brasil
O grafiteiro Denis Moreira explica que o grafite está ligado ao movimento do Hip Hop e é uma arte expressa nos muros.
E conta que há dez anos iniciou essa experiência de grafiteiro
Grafite na Avenida Nove de julho destaca o estilo de artista da região O beco do Batman, é uma referência como um estilo de grafite bem trabalhado Os turistas diariamente visitam a famosa viela que os artistas usam com suas telas O professor Denis em uma de suas aulas de sábado, com alunos voluntários No estúdio, o professor Denis se prepara para ministrar a aula Na sala, muitos trabalhos produzidos nas oficinas são expostos A casa do Hip hop, a arte está presente por todos os lugares e em todos os ambientes Traços irregulares ditam a forma desse estilo, que são característicos, e chama a atenção
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A palavra grafite vem do italiano graffiti, que tem como significado as inscrições feitas em paredes. Ligado ao movimento Hip Hop, ele é uma manifestação artística em espaços públicos. O grafite é um museu aberto, acessível a qualquer pessoa. Em São Paulo, essa arte foi introduzida no Brasil no final da década de 1970.

O professor de grafite na Casa do Hip Hop, no bairro Canhema, em Diadema, Denis Moreira, formado em artes visuais na FMU, exerce a profissão de professor há três anos. “Comecei com o grafite em 2004, exatamente aqui na Casa do Hip Hop há dez anos atrás, foi daí que iniciei a minha experiência, exatamente nessa salinha aqui, ainda é a mesma mesa, ainda têm os mesmos riscos na parede, alguns novos, mas o lugar é o mesmo”, brinca.

Para Denis, o grafite é uma arte expressa nos muros. “Quando começa a entrar em outros meios como tela, por exemplo, suporte de madeira já se torna artes plásticas. A essência do grafite é no muro”, explica. Ainda segundo o professor, o grafite está ligado aos vários movimentos como o Hip Hop. “Essa ligação se dá pelo surgimento nos EUA, principalmente nos guetos. Antigamente eram elementos separados, aí deu-se uma mistura no momento em que o DJ Afrika Bambaataa teve a ideia de reunir todos os elementos, por exemplo, o grafiteiro fazer a jaqueta do B-boy que dançava, o MC cantar as músicas que o B-boy dançava e aí deu-se essa união. Cada um tem a sua função dentro do movimento do Hip Hop.”

São vários os materiais utilizados no grafite. De acordo com o especialista Denis, no Brasil há uma grande diversidade de materiais. “Da origem nos EUA usa-se mais spray, mas aqui no Brasil ganhou novos ares, por exemplo, tinta de parede, tinta acrílica, látex, pigmentos e corantes diferenciados, tem gente que usa rolinho, canetão, pincel, não só spray”, comenta.
Para o professor Marcos Antonio Zibordi, que está fazendo uma tese de doutorado na USP, sobre os elementos do Hip Hop, também tem o mesmo conceito. “O paulistano criou algumas soluções de grafite que não existiam na origem. Por exemplo, na origem, é só a lata de spray, é o único tipo de tinta que se usa. No Brasil, por questões econômicas, passou a usar o rolinho e a tinta látex. Isso é uma técnica nacional”, afirma.

Sobre seu trabalho Denis explica que iniciou-se das artes plásticas. “Primeiro eu comecei a pintar quadros e depois fui para a rua. No grafite eu desenvolvi a mesma técnica que eu faço nas telas, uma coisa mais colorida, gosto de usar rolinho também, pigmento, até pela facilidade do preço, porque o spray é muito caro, então é uma forma de dinamizar e fazer um trabalho que eu gosto e seja mais barato.”

Sonora

Professor Zibordi declara que pichação e grafite são semelhantes

Existem pessoas que equiparam o grafite à pichação. Para o professor isso tem fundamento. “Eu respeito, vai da opinião de cada um. A pichação é uma forma mais sintética de grafite, é uma letra sem preenchimento, mas a ação é a mesma, a ideia de espalhar o nome, de ter um grupo, de ter uma marca, é a mesma dos desenhos ou de uma coisa mais abstrata de cor, joga lado a lado, e às vezes muitas pessoas que fazem grafite fazem pichação, então vai da opinião, se gosta ou não”, afirma Denis.
Para o professor Zibordi, existe uma diferença estética entre o grafite e a pichação, mas essa diferença estética esconde muitas semelhanças. “Por exemplo, os materiais são praticamente os mesmos, a noção da pintura como algo público, de impacto no mundo é a mesma. Existem outras diferenças, o grafite é autorizado, a pichação não é autorizada, o grafite é colorido, a pichação é preta e branca”, comenta.
Sobre o mercado de trabalho no ramo do grafite, Denis declara que: “É mais para quem já está há muito tempo na área que é convidado para fazer murais grandes, trabalhos comerciais para fazer pinturas em telas. No grafite não rola tanto trabalho comercial, outros costumam chamar de trabalho aerográfico, que usa pistola. O trabalho mesmo do grafite, a essência mesmo não existe muito trabalho comercial, aí já vira pintura em tela, já se torna um trabalho de uma fachada de uma loja, aí já não é grafite mais, já é diferente.”
São várias as funções para a utilização do grafite. “Com certeza, tem várias pessoas que usam do grafite como um hobby, como uma forma de distração, tem gente que desenvolve ideologia e quer passar uma mensagem, é muito variado, cada um acha uma função para o grafite”, declara Denis.
Normalmente para se fazer um grafite em local público tem que ter uma autorização prévia. “Tem que negociar com ‘o patrão lá de cima’. Porque se não tiver autorização e a pessoa vier a pintar, podem cobrir a pintura. Às vezes mesmo com a autorização eles cobrem também. Não dá para entender a logística, deve ser porque se agradar eles não apagam, se não agradar eles apagam”, afirma o professor Denis.
São várias as consequências de se fazer um grafite em lugares públicos sem prévia autorização, podendo até mesmo pagar multas. “As dificuldades de um grafiteiro ao fazer um grafite em lugares públicos é a abordagem. Você está aberto às várias coisas, a polícia chegar ou de repente você acha que o muro é público, mas na verdade é de um proprietário, e do nada ele surge para te abordar, aí é complicado. Você pode assinar um termo do artigo, pagar umas cestas básicas, essa é a consequência”, conta o especialista Denis.
Existem no Brasil, vários grafiteiros famosos, comenta o professor Zibordi. “Muitos conseguiram representatividade mundial, como por exemplo, Os Gêmeos, a Nina, Zezão. Tem muitos que transcenderam, já expuseram em galeria dos EUA. Os Gêmeos já expuseram no MoMA [Museu de Arte Moderna dos EUA]”, lembra.
O almoxarife Vinícius, 18 anos, estuda na Casa do Hip Hop há quatro meses, e pretende seguir nessa profissão do grafitismo. “Desde criança sempre desenhava. Comecei a assistir vídeos no YouTube, e fui me interessando mais. Até que teve um dia na escola que tive que procurar centros culturais, foi aí que eu me recorri aqui na Casa do Hip Hop. E acabei vindo para cá, curtindo os grafites e o Hip Hop em geral, depois de um tempo eu resolvi participar para fazer esse curso”, comenta.
As pessoas para iniciarem no grafite, primeiramente fazem desenhos no papel e quando aperfeiçoadas passam para o desenho no muro. “Eu sou novo no grafite, antigamente eu só desenhava no papel, aí com esse curso eu comecei a passar para ter mais coragem para fazer na parede que antes eu não tinha. Eu era meio inseguro”, confessa Vinícius.
Segundo o professor Zibordi, São Paulo é uma das capitais mundiais desse tipo de arte, muito representativa. “Tem um livro por exemplo, de um fotógrafo alemão chamado Nicholas Ganz, O Mundo do Grafite. Esse cara andou por todos os continentes, na abertura do livro ele fala que São Paulo é uma das capitais mundiais desse tipo de arte.”

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