Pároco da Missão Paz recebe entre 10 a 15 imigrantes por dia
Muitos imigrantes chegam ao Brasil com o sonho de buscar uma vida melhor, mas encontram pela
frente grandes desafios, sendo os maiores o lidar com a língua portuguesa e conseguir um emprego
Rua 25 de Março, um postal da cidade, bem conhecido por seus inusitados vendedores Igreja Nossa Senhora da Paz, localizada no Glicério, uma referência para imigrantes Imigrantes haitianos em frente à igreja Nsª da Paz, esperando para serem atendidos As cores e as formas do bairro da Liberdade já são bem conhecidas em toda a cidade Liberdade, um ponto estratégico da capital, que é conhecido por seus imigrantes O centro da cidade de São Paulo, lá os exemplos mais visíveis são comprovados Uma população diversificada, que se espalha em diferentes regiões da cidade Uma diversidade de cultura que dá a forma da cidade e revela suas características
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Entre 10 a 15 imigrantes chegam por dia na Missão Paz, situada no bairro do Glicério, no centro de São Paulo, entidade que oferece assistência imediata aos imigrantes e refugiados. Segundo o Padre Paolo Parise, a Missão Paz não é uma agência de emprego, mas só esse ano, já conseguiram dois mil empregos para os haitianos.

A Missão Paz é formada por quatro setores: pela CPMM (Centro Pastoral e de Mediação dos Migrantes), que faz atendimento jurídico, cuidando da documentação, faz encaminhamento de crianças para a creche e escola, atendimento médico: psicólogo, mediação com o trabalho e aulas de português; pelo CEM (Centro de Estudos Migratórios) contém a biblioteca, a revista Travessia que é especializada em imigração e faz pesquisas; pela Igreja Nossa Senhora da Paz para quem é católico cuida da parte religiosa, mas sem discriminação, pois acolhe todas as religiões e pela Casa do Migrante que hospeda todos os dias 110 pessoas no mínimo.

“Muitos imigrantes haitianos chegam do Acre no Terminal Rodoviário da Barra Funda, em São Paulo. Por falta de gestão, não há conexão entre os estados, os imigrantes acabam perdidos, porque falta informação na Barra Funda, como mapas e indicações. Quando eles conseguem alguma informação, eles chegam ao pátio da Igreja Nossa Senhora da Paz”, diz o Pe. Paolo, um dos coordenadores da Missão Paz e diretor do Centro de Estudos Migratórios.

De acordo com o Pe. Paolo, a Casa do Migrante costuma abrigar de 70 a 75 nacionalidades anualmente, como por exemplo: Haiti, Congo, Angola, Síria, Costa do Marfim, Nigéria, Gana, Camarões, Equador, Bolívia e Paraguai. O Padre Paolo Parise conta que a Missão Paz faz em média 800 atendimentos por mês, mas tenta evitar o assistencialismo e o paternalismo, em média o imigrante é acolhido por dois a três meses, tentando preparar para o mercado de trabalho. “Houve um caso que abrigamos até seis meses, pois uma mãe solteira angolana tinha quatro filhos, demorou mais tempo para arrumar emprego.”

Sonora

Pe. Paolo comenta que os imigrantes ficam perdidos
ao chegarem na Barra Funda

A haitiana Marie Shantal, 35 anos, estudante da CPMM, chegou ao Brasil há seis meses com dois primos, e ainda está com o visto provisório. “Já estou trabalhando há dois meses, na limpeza, arrumei emprego através da Missão Paz”, conta Marie. “Eu vim e sinto saudade da minha filha, mas ela não quer vir para cá.”

Atualmente a Missão Paz conta com 600 empresas cadastradas, de pequeno ao grande porte. “Geralmente são as empresas que procuram pela Missão Paz, devido ao trabalho na mídia”, esclarece Paolo. Segundo Parise, a maioria dos imigrantes vêm para o Brasil em busca de trabalho: “Uma pequena quantia vem para estudar, outra parte são refugiados de guerra, muitos do Congo que se escondem nos contêineres dos navios, sem saber o destino, eles vêm parar no Brasil por acaso; não sendo obrigatoriamente o verdadeiro destino pretendido por eles, pois estão fugindo da morte.”

O libanês Mahmoud Ali Ale Nehme, 55 anos, morou durante cinco anos na Argentina e no Paraguai, mas o país que mais o atraiu na América Latina foi o Brasil. Assim que começou a trabalhar como comerciante, no Brás, em São Paulo, há 28 anos, percebeu que o Brasil era diferente por causa da diversidade de etnias, ele conta porque deixou sua terra natal. “Guerra na Palestina, no Oriente Médio, sempre acontece essas coisas por lá. A gente tem que escolher o lugar que quer viver, escolhemos o lugar onde tem paz, tem vida. Vim com minha família que mora em Foz do Iguaçu”, explica.

Mahmoud mantém sua cultura islâmica e frequenta a Mesquita do Brás. “Estou vivendo aqui no Brasil do mesmo jeito que vivia lá no Líbano. Lá eu vivia também do comércio, só que por causa da guerra, o comércio era fraco, não é do mesmo jeito que eu trabalho aqui. Graças a Deus nunca senti nenhum preconceito aqui, nunca aconteceu nada comigo aqui e acho que nunca vai acontecer, eu vivo do meu jeito, não mexo com ninguém, tanto no meu trabalho quanto na minha casa e na minha vida”, relata.

Há oito meses no Brasil, Dernor Eemama, 17 anos, do Congo, está fazendo ‘bico’, não tem emprego contratual, porque ainda não conseguiu tirar a carteira profissional. Atualmente mora com o pai, a madrasta e o tio. “Não quero voltar para minha terra de origem. Não sinto saudade do Congo, nem mesmo em sonho, só sinto falta da minha mãe biológica”, afirma sorrindo.

No quinto ou sexto mês de estadia, Dernor aprendeudiversas coisas em português durante às aulas na Missão Paz. “No começo é sempre muito difícil. Mas eu aprendi a língua traduzindo música pela internet”, declara. Dernor que já foi à Igreja Assembleia de Deus, e ultimamente frequenta a Igreja Universal vê diferença de onde ele veio. “Vejo muita coisa errada na rua, muita droga, mas mesmo assim estou gostando do Brasil”, comenta.

O processo de legalização de documentação de um estrangeiro, dura em média um ano e meio a dois anos. Paolo Parise afirma que os estados que mais recebem refugiados são Brasília, São Paulo, e Paraná. “O estado que recebe mais imigrantes é São Paulo com 50%, e depois se divide entre Rio de Janeiro, Curitiba e no sul do Brasil. Os haitianos se concentram entre São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.”

A Missão Paz faz uma semana de comemoração do imigrante, no mês de junho, e ainda de acordo com Paolo, outras festas de diversas nacionalidades são feitas durante o ano. “Como por exemplo, a festa da Bolívia comparece em média 50 mil pessoas, é feita no Memorial da América Latina, porque é um lugar que comporta essa quantidade de pessoas, todas as festas são abertas ao público, com comidas e danças típicas”, expõe.

Muitos voltaram para sua terra de origem, mas a maioria fixou-se no Brasil, até o final do ano calcula-se que 50 mil haitianos estarão no Brasil. “Isso vai depender muito da economia. Se o Brasil entrar numa fase de recessão, vai mudar rápido. Se os EUA ou a Europa melhorarem a economia, logicamente eles se voltarão para outras regiões, então depende de todas essas variáveis”, estima Pe. Paolo.

Expediente

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