Juventus: o Moleque Travesso em busca de novas glórias no futebol
Com 90 anos de história completados em 2014, o Clube Atlético Juventus continua
recebendo o apoio de seus torcedores fanáticos e luta para voltar à elite do futebol paulista.
Torcedores acompanham atentamente a partida decisiva pela Copa Paulista 2014. Equipe do Juventus em campo, na Rua Javari, no duelo contra o Atlético Sorocaba. Ricardo Chiavegatti faz questão de levar o filho Rafael para acompanhar o Juventus. Torcida organizada do Moleque Travesso é responsável por empurrar o time na Javari. Apreensivos, torcedores acompanham empate sem gols pela Copa Paulista 2014. Defesa juventina atenta ao ataque dos adversários em jogo no estádio Conde Rodolfo Crespi. Torcedores fanáticos do Moleque Travesso assistem aos jogos “colados” no alambrado. Torcida sempre fanática do Juventus costuma acompanhar todos os jogos na Rua Javari
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Localizado na Rua Javari, no bairro da Mooca, zona leste de São Paulo, o estádio Conde Rodolfo Crespi continua sendo o palco dos jogos do Clube Atlético Juventus. Tradicional equipe paulista nas décadas de 70, 80 e 90, hoje, o Moleque Travesso ainda consegue lotar as arquibancadas mesmo na 3ª divisão do Campeonato Paulista.

A história do Juventus começou em 20 de abril de 1924 por meio da maior colônia estrangeira em São Paulo. Um grupo de italianos, moradores do tradicional bairro da Mooca, foi o responsável pela fundação da equipe que anos depois seria apelidada de Moleque Travesso. Antes da criação do Clube Atlético Juventus, outras duas equipes deram início a essa história. Os clubes “La Greca” e “Extra São Paulo” foram fundados por imigrantes italianos e dividem a fase preliminar do Juventus.

Mas antes do tradicional nome de Juventus, o clube foi chamado de Cotonifício Rodolfo Crespi Clube em 1925. O nome atual surgiu em 1930 e a primeira conquista da história da equipe em 1934. O título do Campeonato da Cidade de São Paulo inaugurou a sala de troféus do time da Rua Javari.

 

O ano seguinte, 1935, marcou a estreia do Juventus em campeonatos profissionais. Em menos de dois anos, o apelido Moleque Travesso começava a ser justificado. No “Campinho da Rua Javari” como ainda era chamada o estádio do Juventus, a equipe quebrou uma série de 35 jogos sem derrota do Corinthians ao vencer o time do Parque São Jorge por 4 x 2. Partida inesquecível para o goleiro Sertalli do Juventus, responsável por defender um pênalti do Corinthians quando o jogo ainda estava 1 x 0 para a equipe da Mooca. Registros da época relatam que essa foi a maior atuação do time em campos paulistas. Apenas o primeiro jogo do Moleque Travesso, apelido carinhoso do Juventus por sempre aprontar contra as grandes equipes de capital de São Paulo.

Sonora

Juventus da Mooca: um time de tradição

Até o ano de 1950, o Juventus continuava figurando e aprontando contra as equipes consideradas maiores. Conquistou em cima da Portuguesa, em 1940, o primeiro título disputado no Estádio do Pacaembu. Mas se engana o torcedor ao imaginar que atual fase da equipe, na série A-3 do Paulista, foi a pior da equipe em 90 anos de história.

No ano em que o torcedor brasileiro sofreu ao ver o Uruguai vencer o Brasil por 2 x 1 na final da Copa do Mundo em 1950, o Juventus iniciava uma de suas piores fases da história. 30 anos depois da criação do clube da Mooca, a família Crespi afastou-se da diretoria da equipe quando tentava uma fusão com a Ponte Preta, tradicional time da cidade de Campinas. A decisão foi negada pelo conselho deliberativo para a sorte dos torcedores juventinos poderiam acompanhar por muitos anos as “molecagens” do Moleque Travesso.
Em toda a história do Juventus, os jogadores que atuaram pela equipe em 1953 podem se orgulhar de ter feito parte de um ano inesquecível do clube da Mooca. A equipe da Zona Oeste de São Paulo desfilou o seu futebol em outros países da Europa e da América do Sul. No currículo desses atletas, partidas na Itália, Espanha, Suécia, Alemanha, Áustria, Suíça, Argentina e ainda na extinta Iugoslávia.

Apesar da péssima fase financeira ainda oriunda da década de 1950, no ano de 1960 o time não se contentava em ser apenas o time tradicional do bairro da Mooca e, apesar de ser o time do coração, ele sonhava em crescer, e ir além da Rua Javari.
O presidente do clube na época, Roberto Ugolini, se reuniu com a diretoria para lançar um grande empreendimento. A ideia era construir um moderno espaço poliesportivo em um terreno da Mooca. A ajuda financeira veio da venda de títulos patrimoniais. O sonho se concretizou em abril de 1962.

Quase vinte anos depois, o Juventus teve sua melhor campanha em um Campeonato Paulista em 1982. O clube ficou entre os grandes times: Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Ponte Preta. Através desse bom desempenho, o time conseguiu participar pela primeira vez da Taça de Ouro em 1983, a principal divisão do Campeonato Brasileiro.

Finalmente, em 1983, ano de ouro para o clube, o Juventus foi campeão brasileiro da série B. Entre 48 equipes que iniciaram a competição buscando uma vaga na elite do futebol brasileiro, o Juventus terminou a sua participação com seis vitórias, dois empates e apenas uma derrota no campeonato daquele ano. A grande final aconteceu contra o CSA de Alagoas em duas partidas inesquecíveis para o torcedor juventino na época. Na primeira partida em Alagoas, vitória por 3 x 1 para o CSA e a responsabilidade jogada para a partida de volta no dia 1º de maio. Na Rua Javari e para um público de quase 2.500 torcedores, o Juventus da Mooca reverteu a situação, ganhou por 3 x 0 e levou o título do Brasileiro Série-B, na época chamada de Taça de Prata.

Na elite do futebol nacional, o Juventus nunca teve grande sucesso entre as principais equipes do Brasil. Rebaixamentos para a Série-B e quedas para a terceira divisão vieram na história do Juventus. A partir de 1998, a equipe começaria o seu descenso não só no futebol brasileiro, mas também em âmbito paulista.

Apesar das dificuldades, a torcida do Moleque Travesso esteve em todos os momentos com a equipe. “Eu nunca pensei em desistir não. Meu primeiro jogo de futebol foi aqui na Javari com dez anos de idade em uma partida do Juventus contra a Ponte Preta. Meu pai é juventino e isso aqui é diferente de tudo”, conta o torcedor Alexandre Fabiano Grandini.

O título da Copa Paulista em 2007 foi a última grande conquista do Juventus. Mesmo em situação delicada e sem receber uma grande quantia de patrocínio, o diretor de futebol Valdemar de Lemos enxerga um bom futuro na atual equipe. “Esse time ele está no caminho certo. O quê precisaria realmente é ter um pouquinho mais de paciência e insistir com o treinador e os jogadores promissores."

 

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