Postagens racistas invadem as redes sociais

Pesquisa mostrou que as mensagens preconceituosas foram as mais denunciadas no Facebook em 2013.
Saiba como reagir ao se deparar com essas postagens

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A SaferNet Brasil, entidade que enfrenta os crimes e violações aos Direitos Humanos na Internet, divulgou seu relatório anual de denúncias feitas na rede, referentes ao ano de 2013. Com 6.811 denúncias, o racismo foi um dos crimes que recebeu o maior número de ocorrências no Facebook. Porém, essa prática não se restringe apenas a essa rede social.

Postagens com mensagens racistas podem ser encontradas também em outras páginas, seja por forma de comentários em fotos do Instagram, vídeos no Youtube, ou até, a mais comum, no Twitter. Uma das páginas mais conhecidas é a @NaoSouRacista, que retuíta (compartilha) postagens com mensagens peconceituosas.


Maria José de Paiva comenta sobre algumas situações em que sofreu racismo

"Deve ser denunciado qualquer material escrito ou imagens contendo ideias ou teorias que promovam o ódio, a discriminação ou violência contra qualquer indivíduo, baseado na raça, cor, religião, descendência ou origem étnica ou nacional", essa é a mensagem que a SaferNet deixa em seu site para quem quer se informar sobre como denunciar esses atos.

A entidade repassa as denúncias feitas por internautas para autoridades competentes. Basta que o usuário envie o link do site onde está o suposto crime sem precisar se identificar. Depois, é feita uma análise do conteúdo da ocorrência e se for comprovada a existência de indícios de crime, parte-se para o rastreamento das informações relevantes para que se possa instaurar o processo formal de investigação policial.


Texte alternatif

Especialista explica melhor tratamento para traumas causados pelo racismo


"O preconceito pode ter desde consequências leves, como tristeza ou irritação, até consequências graves, como uma depressão, transtornos de ansiedade, que podem levar a vítima ao suicídio", diz Elaine Gazignato, psicóloga clínica graduada pela USP. Ela afirma ainda que o aumento do número de denúncias é um indicador positivo, já que demonstra que as vítimas do racismo estão denunciando seus agressores.


Maria José de Paiva já sofreu com o crime e comenta que pessoas que recorrem a essas manifestações de ódio têm "problemas de autoestima". Para ela, "julgar o outro e fazer comentários maldosos só mostra como a pessoa não se sente bem com ela mesma".


Casos de racismo vieram à tona na mídia nos últimos meses envolvendo artistas famosos, seja como vítimas ou até como agressores. Um deles envolveu Franciele Almeida, a produtora de eventos e ex-integrante do reality show Big Brother Brasil 14, que disse em rede nacional: “Eu tenho um pouco de negra. Se eu não usar desodorante, fico com cheiro de neguinha”. O assunto repercutiu nas redes sociais gerando críticas e muitas reclamações de internautas sobre o comentário.


Ainda dentro do BBB14, outro participante causou revolta por ter feito um comentário em sua conta pessoal no Twitter, antes de entrar no reality. Cássio Lannes postou a mensagem "Saudade de quando ter escravos não era crime" e, por conta disso, foi denunciado ao Ministério Público.


"Racismo é um tema que não tem uma solução única e simples, porque está arraigado na sociedade há muitos séculos", diz a psicóloga Elaine Gazignato. E uma das vítimas desse crime, Maria José de Paiva, concorda: "O preconceito está enraizado nas pessoas, vem lá da época da escravidão". No entanto, a psicóloga acredita que ainda é possível mudar esse quadro: "Esse crime precisa ser reconhecido e enfrentado em todos os aspectos da sociedade: educação, saúde, comunidades, famílias, propagandas e publicidades, etc".


Aprovação do Marco Civil da Internet pode ajudar nas denúncias

O Marco Civil da Internet, aprovado pela Câmara, segue agora para o pedido de aprovação pelo Senado. O projeto propõe:
- Neutralidade da rede, que é o princípio que determina que todos os pacotes de dados que circulam pela rede devem ser tratados igualmente, sob a mesma velocidade;


- Privacidade (guarda de dados), que se refere à conservação de dados sobre data, horário e duração de acesso à internet e serviços;


- Responsabilidade por conteúdo, que é quando um conteúdo ilegal é colocado em uma aplicação (como o Facebook, por exemplo), o serviço pode removê-lo ou receber ordem judicial para tal.


Essa terceira proposta, da responsabilidade de conteúdo, pode ajudar a retirar da internet as postagens consideradas racistas.

Com ela, qualquer conteúdo postado pode ser retirado do ar sem ordem judicial, desde que infrinja alguma matéria penal
(como pedofilia, racismo ou violência). Isso evita que o material cause constrangimento ficando no ar enquanto aguarda a decisão da Justiça.

Ainah Carvalho

Barbara Melo

Nadia Atiê

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